quarta-feira, 31 de julho de 2013

Pensar Cansa Tanto ou Mais do Que Correr

Ando com uns pensamentos ultimamente, que não são nada normais.
Apetece-me sempre estar sozinha, e se não for alguém a arrancar-me de casa à noite, nem faço tenções de sair.
Digo que não é normal, porque porra, tenho 19 anos e devia mas é aproveitar a vida enquanto posso, e não estar introspectiva e pensativa como tenho andado.
Acho que é tudo uma questão de dúvida.
Muitas perguntas e poucas respostas e uma sede enorme de entender tudo. Isso acho que me define como pessoa.
Acho que define toda a gente, aliás!
E acabei por compreender, que preciso agora destes pequenos momentos de silêncio e solidão porque estive demasiado tempo abafada pelo barulho dos outros e na companhia de pessoas que francamente, não me são nada.
Confesso que nessa arte de reflexão, a escrita me tem ajudado a digerir muitas coisas, que a falar e a pensar, não consigo encaixar na minha vida e em quem sou.
Compreendi que não tenho uma personalidade definida e que isso nem é mau, porque é o que faz de mim a artista que sou. Pessoa também.
Faz sentido, pelo menos na minha cabeça.
Entendi agora porque é que o meu humor varia tanto, e porque é que sou tão diferente a cada dia que passa. Percebi porque sou tão flexível , em termos de relações e não só! sou flexível em tudo o resto.
Isso deixa-me menos preocupada, porque assim são menos perguntas a que tenho de encontrar resposta.
Não tenho que me encontrar, só tenho de me deixar acontecer.
E este afastamento que tem acontecido, da minha parte em relação a toda a gente, é no fundo isso que explico agora: uma tentativa à minha capacidade de aceitar o que me rodeia, sem me questionar tanto como os outros fazem.
Odeio que me questionem e ponham em causa aquilo que eu sou. Isso só me suja a alma com mais dúvidas e me massacra com mais vontade de entender.
Pensar, cansa tanto ou mais do que correr.
O pensamento é um paradoxo! Porque o pensamento só leva a mais pensamentos e dificilmente se torna mais do que isso.
Então tenho-me sentido mais limpa e mais calma ultimamente.
Passo os dias sozinha, a tratar das minhas coisas, e a raciocinar.
E digo com toda a certeza, que nunca estou tão acompanhada do que quando estou sozinha.
Só depois à noite, é que me vou estragar.
É como se eu tivesse encontrado um equilíbrio : de dia, encontro as respostas e de noite, crio as perguntas.
Como um ying e yang pessoal.
Cíclico.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Kito, el chupa tiempo

Não há ninguém em Évora que não conheça a personagem mais chata, mais cusca, mais maluca e mais tudo que o Eurico aka Kito.
Anda assim como quem não quer a coisa, pelas ruas da velha cidade acompanhado pelo seu fiel cãozinho chamado Robin.
Alterna de três t-shirts, e dois pares de calças, e usa sempre os mesmo ténis pretos e laranja dos quais não se desfaz, para se queixar do quanto lhe doem os pés.
Adora falar acerca de tudo, como se tivesse a maior das razões.
Farta-se de mandar bacoradas no Português, e para ele, Inglês é equivalente a Chinês.
Porém há uma língua que conhece bem: a língua cigana.
Sim, o nosso amigo Kito é cigano.
Usa termos como por exemplo "estás-me a malabar", ou " paella ".
Faltam-lhe uns quantos dentes, por isso às vezes é difícil compreender as palavras que saem da sua boca.
Adora falar de amor.
Penso que desde que conheço o Kito, ele já se apaixonou por milhentas raparigas diferentes.
Quem lhe dá a mínima bola, nem imagina o que a espera.
O Kito diz saber amar, e que ainda procura o amor verdadeiro.
Meninas, é a vossa chance. É tipo o "Túnel do Amor", mas não têm de pagar nada. ahahhaha
Há dias Kito confidenciou-me que possuia sentimentos por mim.
Disse-lhe só "sooooona-te"!
Então vingou-se.
Kito pode ser verdadeiramente orgulhoso e vingativo, minha gente. "'Morr'eu " se não é.
E quando as pessoas não fazem o que ele quer, ele passa-se. E vais aos pontos fracos mais sensíveis para se vingar.
Mas Kito não é só desgraça ! Ele sabe cantar!
Canta uma canção super esquisita que só ele sabe como é.
Só ele conhece a métrica e toda a letra da canção.
É tipo, um rap manhoso que ele faz.
Depois, tem um lado muito sensível, mesmo à flor da pele.
Gosta de falar sobre a sua vida e os seus embroglios pessoais.
Seja a quem for.
Se estás presente, e aparentemente sem nada para fazes, prepara-te bem, porque vais saber a vida inteira de um homem de 36 anos.
Atenção , Kito aparenta na verdade ter uns 50.
Ele diz que foi a cocaína que o deformou todo.
É capaz.
Ah, é verdade, Kito vive na rua.
Tem um covilzinho ao pé dos Correios, com todas as suas coisas.
Diz que é sem-abrigo por escolha própria.
E governa-se através de donativos que lhe dão diariamente.
É viciado no chamon, e passa as noites a fumar charutos, na companhia do seu fiel amigo canino.
E este é Kito, minha gente. El puro, el verdadero, el chupa tiempo.

Ele Diz Que "É A Vida"

Bem, aproveitei o facto de não ter nada para fazer e decidi dormir um bocado no sofá.
Acho que não devia tê-lo feito, porque tive um pesadelo horrível, e quero contá-lo agora, porque foi muito forte.. e não me sai da cabeça.

 Tudo começa numa festa, onde estão todos os meus amigos. Estou super divertida a conversar com eles, quando "ele" aparece com uma rapariga ao lado.
Sentam-se os dois na minha mesa, e ele parece tão à vontade a mostrar que está com ela, que até eu me sentia à vontade naquela situação.
A princípio, até disse à rapariga que ela era giríssima e parecida com uma amiga minha de Albufeira.
Ela ri-se para mim, ao mesmo tempo que entrelaça o braço no dele.
Fico a olhar para ali uma data de tempo, a pensar que um dia eu já o tinha feito.
Chamo-me estúpida em pensamento , e tento não demonstrar que estou cheia de ciúmes.
Mas a hora de dançar chega, e todos se levantam para ir para a pista de dança.
Prefiro não ver, e vou até um amigo meu que me ia orientar uma almofada de erva.
Ele dá-mo, e a minha mãe aparece e diz que a erva faz bem mas é muito cara. ( isto é a parte estúpida da coisa, porque a minha mãe dizer uma coisa dessas, é equivalente a um elefante se transformar num unicórnio).
E lá ando eu, de um lado para o outro, abraçada à minha almofada de erva, quando noto nuns amigos que conheci no Harmonia uma noite destas.
De repente, estão os quatro rapazes presos num elevador e chego lá eu, e abro-lhes a porta.
Ficamos todos contentes por eu os ter salvo, e vamos todos de volta para a pista de dança, e quando chego a primeira coisa que vejo, é o rapaz de quem gosto a beijar a tal rapariga.
Sinto uma cena esquisita a crescer dentro de mim, tipo um misto de raiva, com ciúmes, saudades e muita dor.
Pego nas minhas coisas, e estou para me ir embora, já quase a chorar, quando ele vem ter comigo e me pergunta se está tudo bem.
" Pá, vai-te foder." respondo eu.
Pego na guitarra, e quase a parto contra uma mesa, e começo a correr dali pra fora.
Sei que vou a andar super triste, e chateada e a chorar pelo caminho e me aparece o João, que me pergunta onde é que eu vou naquele estado.
" Se vais ficar, fixe. Eu vou-me por a milhas daqui." e continuo andar muito rápido. Quando lhe respondi nem sequer olhei para ele, e ele agarrou-me por um braço.
"Vá, Teresinha, vamos pra casa e vais-me contar tudo."
E lá fui eu, a chorar o tempo todo, de guitarra na mão para casa do João.
Entrámos e sentei-me numa das poltronas dele.
Contei-lhe tudo, e quando ele me ia dizer alguma coisa, aparece a minha sobrinha.
" Tia Tesa, não fica assim. Sara tá aqui."
Começo a sorrir, e levo-a até à minha tia que está à espera dela no carro.
Dou-lhe o meu relógio, e volto para casa, mas desta vez, para a minha casa.
Noto que é a minha casa antiga, a primeira casa que tive em Albufeira.
E lembro-me de que o meu cartão do telemóvel estava dentro do relógio.
Fico toda fodida, e sem telemóvel.
Entretanto, pego no meu amplificador e nas minhas coisas e vou para um bar, porque tinha um concerto agendado.
Estava lá toda a gente, incluindo o rapaz que me tinha feito chorar horas antes, mas sem a rapariga.
Ignoro-o, porque ainda estou muito magoada, e monto todo o meu material de forma quase mecânica, e deixo tudo pronto para começar o espetáculo.
Vou até ao balcão, e quando volto está uma rapariga sentada no sítio onde eu ia actuar com o meu microfone na mão.
"Filipa, levanta-te, que eu tenho de começar".
Ela puxa o cabo do microfone, e parte-o.
Eh pá, nesta altura, lá estou eu de novo chateadíssima, e pego-lhe num braço e levanto-a do chão.
Olho à minha volta, e tenho-o a olhar para mim.
"Oh que caralho. Que se foda isto tudo."
Deixo tudo para trás, e do nada, estou na rua. Estou outra vez a andar muito depressa, como costumo fazer quando estou chateada.
Olho para trás, e vejo-o a vir atrás de mim. E ando cada vez mais depressa, mas ele apanha-me.
"Eu quero falar contigo" diz ele.
"Mas eu não quero falar" respondo eu.
Salto umas grades e entro numa casa.
Ele vem atrás de mim.
Entro numa casa de banho, no quintal, mas ele faz muito barulho a ir contra uns cacifos, e eu fujo dali com medo de ser apanhada.
Entro por uma janela, e dou comigo noutro bar.
Mas o bar tem a minha cama.
No meio do snooker, do fumo e de tudo, há um rapaz que grita "Oh, não se pode fumar ganzas cá dentro".
E deito-me na minha cama.
Não me consegui livrar dele, e ele deitou-se mesmo ao meu lado.
Desatei a chorar.
Perguntei-lhe porque é que ele me fazia aquelas coisas.
E ele disse "não sejas parva."
E deu-me um beijo, apaixonado e longo.
Lembro-me que estava tão magoada e tão partida cá dentro que nem sequer o parei.
" E agora vais ter com ela." disse-lhe eu.
" Desculpa." respondeu.
Levantei-me, e deixei-o ali e fui devagarinho até a casa de alguém.
No caminho, pensei que talvez ele ainda gostasse de mim, porque se tinha preocupado em ir atrás de mim, mesmo apesar de estar com aquela rapariga.
Pensei "é a vida."
Entrei na tal casa e vi o Ti Camel, que me abraçou e disse que ia correr tudo bem.
Foi quando acordei, com o telemóvel a tocar. Era o João a perguntar se estava tudo bem comigo.
" Porra, que timming, João!" disse-lhe quando atendi.
Contei-lhe o sonho todo e ele disse-me para não me preocupar porque para o que eu precisasse, ele estava ali.
E fiquei deitada, no sofá a pensar o quanto sinto a falta dele, e das mensagens dele e de ele me dizer que quer estar comigo.
As saudades são qualquer coisa de super fodido e às quais perdi totalmente o controlo.
Mas não posso fazer nada.
"É a vida".

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ele Nem Se Apercebe

 Eu acho que ele nem se apercebe.
Não se deve aperceber de nada, porque eu também não mostro.
Mas gosto tanto , tanto , tanto dele.
Ele é um puto. Estúpido, e casmurro e parvalhão. Só me apetece bater-lhe, de cada vez que abre a boca.. mas tem qualquer coisa de especial.
Agora as coisas não têm acontecido, já nunca estamos juntos, e se estamos é por acidente, quase.
E isso não me incomoda, só me preocupa.
Às vezes gostava de saber como ele realmente está. À parte dos sorrisinhos , que muitas vezes são falsos.. à parte de ele dizer que está tudo bem.
Tipo, eu sei que não está! Ele é um adolescente, logo não pode estar tudo bem com ele , nunca!
Eu acho que ele se perdeu algures na parte em que nos envolvemos.
Acho que perdeu o norte, e ficou com dúvidas acerca de tudo.
Sinto-o desinteirado, confuso e distraído. E sobretudo, com muito peso na consciência.
Não em relação a mim, até porque não tem motivos para tal.
Mas em relação a ele mesmo, e à vida que ele já tinha antes de eu aparecer.
Se a droga ajuda ou não a esse monte enorme de questões, eu não sei.
Talvez desajude.
Irrita-me porque ele é um desperdício!
Ele tem tudo para ser brilhante, e ter uma vida lindíssima, mas está preso a qualquer coisa , que eu não compreendo o que é, porque ele não me mostra, ou não me diz.
A minha preocupação, não vem do facto de ter estado envolvida com ele, mas sim de gostar mesmo dele, como pessoa. Não quero usar o termo "amiga", porque nem sei se sou isso.
Às vezes, sinto-o estranho. Mesmo à distância.
Ele tem flashes, e vai-se abaixo muitas vezes. Tenho a certeza, mas mesmo absoluta, porque lá está, como eu disse, eu sinto-o.
Não lho posso dizer diretamente, porque não sei se ele vai acreditar, ou se vai interpretar da forma errada.
Não controlo isso, e como acontece com ele, acontece com mais pessoas.
É mais o facto, de que eu me importo realmente com o que ele sente, quer e pensa.
Às vezes gostava de chegar ao pé dele e abraçá-lo.
Não numa de me fazer a ele, porque não preciso disso.
Mas sim numa de lhe mostrar que se ele precisar, estou aqui.
Que ele não precisa de guardar nada pra ele, porque isso só o sufoca.
E que acima de tudo, ele não está sozinho e não o vou julgar por nada.
Não sou boa faladora, mas sou uma óptima ouvinte.
E às vezes nós não precisamos de ouvir. Precisamos só de desbobinar tudo o que se passa cá no interior.
E eu acho que ele não se apercebe disso. Acho que ele anda a entender tudo mal.
Não me apaixonei, apenas transformei o que sentia em qualquer coisa mais simples.
Mas eu acho que ele não se apercebe de nada.


Acho Que Não Vou Mudar..

 Tenho uma queda especial para o perigo
Não é novidade, é o que se passa comigo
Todos os dias corro riscos e enfrento tempestades
Deixo a paz um pouco de lado, e recorro às hostilidades.

Sei que não tem de ser assim
E que se quisesse podia ter uma vida bem calma
Mas o perigo faz parte de mim
É quase noventa por cento da minha alma

É eu estar no limite do suposto ,
Saber que já me está a falhar o corpo
E mesmo assim não recusar o gosto
E dar mais um golo em qualquer copo

É eu saber que não devo ir mais além
E ainda assim entrar num carro
Desligar-me de tudo o que me faz bem..
.. e lá está, fumar mais um charro

Ter hipótese de escolha
Não tem qualquer um
Eu tenho, e sei que sou trolha
Porque pela vida não tenho amor nenhum

Perdi-o algures, a meio do meu caminho
E sinto-me mal por tê-lo perdido
Mas quando se vive assim sózinho,
Acaba-se por tomar tudo por garantido

Se tenho pena, se me modifico
Todos me caem à perna e me dizem que sou louca
Mas se quero voltar atrás e me justifico
Nem eu mesma acredito numa unica palavra que me saia da boca

Não consigo viver com medo
Mesmo sabendo que anda aí muito má gente
Toda a gente sabe, não é segredo
A forma como a gente lida é que é diferente

Vou continuar, pois, lá terá que ser
Senão nem me consigo sentir pessoa
Logo à noite, já sei que me vou foder
Porque aquela droga é mesmo muito boa

E vou chegar mais uma madrugada a casa
Alterada e cansada
Com a vergonha debaixo da asa
Mas feliz por ter conhecido mais uma estrada




Jogos de Família

Bom, como toda a gente sabe, a minha família sempre foi adepta de jogos e desafios em conjunto.
Não há hora marcada, nem sítio. Os jogos pura e simplesmente dão-se.
Claro que não são jogos normais, tirem o cavalinho da chuva, porque se alguma vez jogassem um dos nossos jogos, a seguir o mais provável era suicidarem-se ou assim.
Ainda agora estivemos a jogar ao "Quem É Que Destruiu A Nossa Família". Consiste basicamente em cada um dos elementos mandar as culpas pra cima dos outros. Normalmente, sou sempre eu que ganho, embora o Pai já tenha subido ao pódio durante uns anos.. mas sinceramente, acho que há um empate. E cá para nós que ninguém nos ouve, acho que a Mãe faz sempre batota.
Acabamos cada um no seu canto, e segue-se o segundo jogo, que também é muito engraçado.
Chama-se " Vamos Lá Acordar os Vizinhos".
Geralmente, começa a Mãe, que faz sempre equipa com a minha irmã.
E o jogo consiste em gritar alto o suficiente, coisas a meu respeito, para que todos os vizinhos possam ouvir o quão horrível como pessoa eu sou.
O Pai quase nunca joga, porque lhe começa a doer a cabeça, por isso tenho de jogar sozinha contra elas duas.
Escusado será dizer que perco sempre, e acabo encolhida na cama ou a chorar, ou a tapar os ouvidos para não ter de começar a chorar.
Há outro jogo montes de giro, que é o " Vasculho!".
Esse já se está mesmo a ver o que é: a Mãe e a minha irmã fazem equipa de novo, e vão ao meu quarto vasculhar tudo e mais alguma coisa, para ver se encontram peças para jogar ao "Vamos Lá Acordar Os Vizinhos".  Nem sempre conseguem, mas quando conseguem, JESUS.
Andamos a jogar a isso durante horas.
Depois há outro que é o "Remember".
Não tem nada que saber, é só a Mãe a relembrar todas as merdas que se passaram , das quais tive culpa, das quais não tive culpa mas que mesmo assim me é atribuída.
A melhor táctica, é fugir.
A sério, escapar do jogo pode ser moroso e complicado, e às vezes é mesmo um processo muuuuuito lento, mas com jeitinho, lá se consegue.
O Pai é o best a jogar ao "Remember", porque tem má memória, e a mãe passa-se e começa a misturar o "Vamos Lá Acordar os Vizinhos" e o "Quem Destruiu a Nossa Familia".
Pode ser interessante de assistir, a sério! ..
.. do ponto de vista psiquiátrico ou assim...
Só há um jogo que me chateia mesmo e ao qual nunca consigo ganhar.
É o "Piñata Humano".
Toda a gente conhece o jogo tradicional do "Piñata", não é! Aquele de bater com o pau num burro de papel até ele rebentar .
A minha família está sempre a jogar a isso comigo também.
Eu não gosto, porque sou sempre o Piñata.
Claro que o Pau é substituído por palavras , que devo dizer , podem ser tão duras como madeira.
Há outra coisa que difere do jogo normal.. é que quando rebento, não saltam rebuçados de dentro de mim.
Sai qualquer coisa, e acho que é dos meus olhos e isso faz-me sentir mal.
Porém, há um único jogo que eu gosto mesmo muito de jogar com a minha família.
É tão bom, que nem ela sabe que joga comigo.
É o jogo do "Shiu".
Não é nada demais, sou só eu , sentada num canto qualquer, a dizer shiu baixinho, enquanto eles jogam os outros jogos.
Ganho quase sempre, apesar de demorar!
Também não tenho como perder.
Já não tenho como perder mais nada.
Oiii, a mãe começou a jogar ao "Remember" agorinha mesmo. Tenho que ir. Wish me Luck.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Olha lá!

Estou para aqui a tentar magicar
Umas rimas bonitas para escrever
Mas nada me sai, já me estou a irritar
E não tenho mais nada para fazer!

Vou andar aqui de roda,
À procura de ideias rimadas
Mas toda a gente sabe que fazer versos é foda
E que é mais fácil optar por prosas mais prolongadas

E aqui estou a gastar palavras à toa
Gasto-as todas porque é de graça
Só porque são de graça não é que sejam boas
Mas assim o tempo já parece que passa

Detesto grandes filosofias
Frases feitas com muita existência
Limito-me a escrever acerca dos meus dias
Apesar de muitas vezes recorrer à desistência.

É porque às vezes não sei o que dizer
E não é porque não tenho do que falar
Pelo contrário, sobram-me o que eu quiser
Mas às vezes é melhor eu não me pronunciar

Gosto de ter opinião
E gosto de ser compreendida
Por isso estas linhas não são em vão
Já disse o que queria da minha vida.